Rota é o grupo policial que mais matou bandidos neste ano no estado de SP

 Rota é o grupo policial que mais matou bandidos neste ano no estado de SP

As Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) foram o grupamento da Polícia Militar (PM) que mais matou pessoas suspeitas de crimes no estado de São Paulo durante operações neste ano, segundo dados de janeiro e fevereiro da Ouvidoria da Polícia. Foram 12 mortes à bala atribuídas a Rota, que é considerada um dos grupos de elite da corporação.

Ao todo, as polícias Militar e Civil mataram juntas 117 suspeitos em 27 cidades. De acordo com o levantamento da Ouvidoria, a capital paulista e a Grande São Paulo respondem por 73,5% das mortes praticadas por policiais civis e militares neste ano no estado. Isso representa 86 pessoas mortas na cidade de São Paulo e na região metropolitana.

Para a Ouvidoria os números sobre a letalidade policial, principalmente os que envolvem a Rota, causam preocupação. Por isso, informou ter pedido explicações a Secretaria da Segurança Pública (SSP), que responde pela PM e pela Polícia Civil.

“A Rota se sobrassai no número de mortos pela cultura dos policiais que irão fazer parte dela. Eles são determinados a encarar supostos confrontos”, disse o ouvidor Julio Cesar Neves ao G1.

“Tive a resposta dos superiores desses policiais de que essas mortes de suspeitos existem porque a bandidagem está mais ousada e aparelhada, com armas sofisticadas. Falam que as mortes são decorrentes de reação dos policiais ao ataque a tiros dos bandidos”, completou o ouvidor. “Dizem sempre que houve troca de tiros”.

Pelos dados da ouvidora, uma dúzia das mortes praticadas pela Rota ocorreram em São Paulo e em Guarulhos. Depois aparece o 16º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano (BPM-M) com oito mortes na capital, Osasco e Cotia. O 3º BPM-M surge em seguida, com cinco mortos. Outros batalhões metropolitanos e do interior mataram juntos 44 pessoas. Quarenta e dois suspeitos restantes morreram em intervenções de policiais militares que não tiveram os batalhões ou grupamentos especificados no levantamento.

Apesar de, em tese, os policiais alegarem que as mortes de suspeitos são revides aos ataques criminosos, a Ouvidoria cobra investigação para saber se houve legitimidade na intervenção policial. “É preciso que cada uma dessas mortes seja apurada para saber se realmente foram frutos de confronto ou se foram mera execução”, reiterou Neves.

Procurada para comentar o assunto, a SSP não havia respondido ao questionamento da equipe de reportagem até a publicação desta matéria. Na terça-feira (17), a pasta adiantou que irá mudar a forma de investigar mortes decorrentes de ações policiais. Um dos objetivos seria reduzir a letalidade envolvendo agentes durante as intervenções. A medida, que deverá ser publicada no Diário Oficial da próxima sexta-feira (20), prevê a presença de representantes da Polícia Civil e da PM, suas corregedorias e até do Ministério Público (MP) nas locais de mortes.Posso dizer que 95% dessas mortes deste ano serão arquivadas e se algum policial agiu contra a lei, ele não será punido”Julio Cesar Neves

O ouvidor afirmou que mesmo nos casos em que as suspeitas de assassinatos por parte de policiais são evidentes, os agentes saem impunes.

“Posso dizer que 95% dessas mortes deste ano serão arquivadas e se algum policial agiu contra a lei, ele não será punido”, reforçou. “É por isso que parte dessas mortes decorrentes de ações policiais acontecem: pela impunidade do autor”.

Nas palavras de Neves, outro ingrediente que explica o número de mortos pelas polícias, é a cultura que ainda existe na sociedade de que ‘bandido bom é bandido morto’. “Um policial não pode prender, julgar e executar com um tiro um criminoso, um suspeito ou um inocente. Ele tem de prender e a Justiça julgar”, afirmou.

Para o ouvidor, o tamanho da população explica a concentração maior de mortes no estado na região metropolitana de São Paulo. “A capital e a Grande São Paulo se sobressaem em comparação com o interior e o litoral do estado sobre o número de mortos pelas polícias porque nessas duas regiões há maior concentração de pessoas e, consequentemente, maior possibilidade de crimes e confrontos”, disse Neves.

212 policiais sob suspeita
O relatório da Ouvidoria informa que 212 policiais militares mataram 110 pessoas no estado nos dois primeiros meses deste ano. Comparativamente, 11 policiais civis mataram sete pessoas no mesmo período. Isso se explica porque a PM exerce um trabalho ostensivo, nas ruas, onde há mais risco de haver confrontos com criminosos. A Polícia Civil têm uma responsabilidade mais baseada na investigação.

Do total de mortos pelas duas polícias no estado, 51 perderam a vida na capital, 35 foram mortos na Grande São Paulo, 18 no interior e 13 no litoral. (veja dados abaixo).

Mortos por policiais civis e militares nas cidades:

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